A Segmentação das Transmissões Esportivas e a Expansão das Oportunidades no Mercado
A divisão dos direitos de exibição dos campeonatos de futebol no Brasil tem sido um tema central de discussão entre torcedores, emissoras e clubes. Esse novo modelo abriu um leque de possibilidades para os envolvidos no setor. A partir de 2025, o torneio nacional de maior relevância estará repartido entre quatro diferentes canais.
Futebol Descentralizado: O Modelo Multiplataforma da LFU
A Globo garantiu os direitos exclusivos para exibir os jogos dos times da Liga Brasileira de Futebol (Libra) e obteve parte dos direitos da Liga Forte União (LFU). Além do conglomerado de mídia, a Record, na TV aberta, será responsável por transmitir partidas da segunda liga, assim como a CazéTV, via YouTube, e o Prime Video.
Essa nova divisão cria oportunidades tanto para as emissoras quanto para o público, especialmente aquele mais habituado ao ambiente digital. A entrada da CazéTV no mercado, impulsionada pela transmissão da Copa do Mundo do Catar em 2022, consolidou a plataforma como uma alternativa inovadora para exibição de eventos esportivos.
Desde sua chegada, o canal de Casimiro Miguel exibiu competições como as edições masculina e feminina da Copa do Mundo, os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Olímpicos, o Mundial de Esqui Alpino, torneios de futsal e futebol de areia – incluindo o sexto título do Brasil nessa modalidade – além de diversos outros campeonatos ligados ao futebol.
A CazéTV aposta em uma linguagem digital e descontraída, conectando-se diretamente a um público de 18 a 44 anos, perfil predominante de sua audiência. De acordo com Sergio Lopes, cofundador da LiveMode, essa abordagem amplia o alcance do esporte ao dialogar com diferentes perfis de espectadores.
“A CazéTV tem uma forte sintonia com o público jovem, que consome conteúdo prioritariamente no digital e é altamente cobiçado pelas marcas. Para conquistar essa audiência, desenvolvemos projetos inovadores que integram nossas transmissões ao vivo, redes sociais – que figuram entre as mais engajadas do Brasil nos grandes eventos – e a participação de influenciadores. Isso nos permite oferecer um conteúdo dinâmico e atrativo para uma audiência diversificada”, destaca Lopes.
No outro extremo desse ecossistema de transmissão, a Record aposta na abrangência da TV aberta, ao mesmo tempo em que fortalece sua presença no digital. Até 2024, o Campeonato Paulista já era exibido digitalmente pela emissora, com uma equipe própria que contou com nomes como Silvio Luiz, que faleceu no final do ano passado.
Para 2025, as transmissões no PlayPlus e no Portal R7 ficarão a cargo do Desimpedidos. O canal, pertencente à NWB, já havia fechado parcerias com a Federação Paulista de Futebol para a exibição do Paulistão feminino e outras competições.
“Na televisão aberta, vejo o esporte como um grande diferencial, com o futebol em evidência por ser parte da cultura nacional. O mercado publicitário exige cada vez mais conteúdo premium, então montamos um time de qualidade e mantivemos essa parceria com o Desimpedidos, que acontece desde o início do campeonato”, explica Alarico Naves, executivo da Record.
Convergência Entre TV e Internet
Para a NWB, essa transição entre TV e plataformas digitais não é novidade. Em 2016, o
Desimpedidos levou sua linguagem irreverente à Fox Sports, em um programa comandado por Fred e Bolívia, que eram os principais nomes do canal na época. Esse tipo de movimento, segundo Antonio Abibe, CEO da NWB, já ocorre há anos, mas se intensifica com a atual fragmentação dos direitos esportivos.
“A interseção entre TV e internet já existe há muito tempo. O Brasil sempre foi pioneiro nesse sentido, desde os tempos do Orkut e das primeiras redes sociais. A grande questão não está na plataforma utilizada, mas na forma como o conteúdo é apresentado. As pessoas se importam menos com onde assistem e mais com a experiência oferecida", afirma Abibe.
Ele acrescenta que essa diversidade de plataformas beneficia o espectador. “Com mais opções à disposição, o público pode escolher onde e como consumir os jogos, optando pelo formato que melhor se adapta às suas preferências”.
A Globo, por sua vez, já vinha investindo em formatos voltados para o digital, principalmente em sua plataforma de streaming. Durante a Copa do Mundo de 2022, por exemplo, o Globoplay contou com uma transmissão alternativa apresentada por Tiago Leifert.
Segundo especialistas do setor, essa diversificação de produtos beneficia tanto o jornalismo esportivo quanto o mercado publicitário. “O aumento dos investimentos fortalece as equipes de reportagem e, ao mesmo tempo, abre novas possibilidades para anunciantes. Mesmo marcas que não conseguem investir nos pacotes mais caros encontram alternativas para estarem presentes no universo esportivo”.
fonte: https://www.meioemensagem.com.br/midia/digital-first-como-os-canais-estao-construindo-um-futebol-cross-midia
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